quarta-feira, 3 de agosto de 2011

De muitos medos que eu tenho, um que me consome mais é o medo de ser igual aos meus pais. Mesmo sabendo que eu já estou fadada a isso, eu temo. Temo muito. E eu choro só de imaginar.
Eu não tenho apoio, não tenho um abraço em horas despretenciosas, horas necessarias, só em horas que realmente ou ela faz o minimo da obrigação dela, ou me larga nesse mundo.
Sabe quando você faz um desenho bem bonito no pré e vai levar pra mostrar pra sua mãe? E ela faz aquele escáceu de tão bonito que os eu desenho ficou? Eu não sei. Masa soube imaginar muito bem como seria. Fiquei triste na hora, revoltei quando adolescente, esqueci quando jovem e hoje eu sinto falta e sei , na maior tranquilidade e aceitação obrigatoria, pq o tempo não volta, que se ela tivesse feito diferente, eu poderia ter sido diferente.
O fato dela ter sido uma mãe que não supria o que era necessario pra que eu fosse hoje uma pessoa bem mais facil de lidar comigo e com o mundo fez com que simplesmente o fato de eu vir a pensar em filhos fosse algo irreal, pq eu tenho medo de tratar meus filhos do jeito que fui tratada. Porque eu sei o quanto faz falta , o quanto eu ja senti de inveja das minhas amigas que tinham mães incrivelmente e quase idealizadamente presentes. é como um romance , eu idealizo coisas tão banais, que quando eu vejo, pelo fato de ser atitudes tão simplorias, fico besta, e logo em seguida incapaz. Eu sofro.
Fomos pobres, ainda somos, mas isso não é motivo. Lembro quando eu vi uma menininha, magrinha, mirradinha, ingenua, indo fazer uma entrevista no PWC e sua mãe a tira-colo. Uma senhora, baixinha, ignorante até, mas... Presente.
Que falava , abençoava , elogiava quase que pro onibus inteiro a filha. E eram nitidamente mais pobres que eu. Mas não eram tão invejosos quanto eu. Pq eles tinham o que eu mais quis , o que eu até hoje quero e nao tenho. Presença. Porque estar junto não significa estar perto. Eu conto para um desconhecido na rua o que eu passo e ele me dá mais atenção que a minha mãe. é tão paradoxo isso, que , até reclamando aqui, me acho uma mimada que só sabe reclamar e uma pessoa que só queria uma mãe perto. Daquelas corujas, que perguntam tudo, que levam e buscam na casa das amiguinhas, que liga pra saber aonde voce está. Não tive isso. Não tenho isso. Não sei se conseguirei suprir essa falta do que não tive com e para os meus filhos. Eu me sinto e até atrevo a ter certeza que sou inutil. Eu precisava de vocês presentes para não sofrer metade do que eu sofro hoje. Se vocês tivessem um pouco de noção e ciencia de que vocês seriam reflexos dos seus pais e que, infelizmente não seria culpa minha, não me colocassem no mundo, eu nao tinha livre arbitrio. Eu estaria seja la aonde fosse, mas não estaria aqui. Sim, é piegas e ridiculo, mas aqui tem uma cabeça pensante, mesmo que irracionalmente e transtornadamente, mas tem. E tem um coração que bate, dois olhos que choram, uma boca que não sorri. dois braços que não dão nem recebem abraços.

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